Sobre o papel das mulheres nos filmes e algumas aleatoriedades.

Estava aqui, de boas, reparando em algumas histórias de filmes e notei o papel das mulheres em alguns deles:

1) Ou elas são mocinhas “frágeis”, “problemáticas” e de alguma forma precisam ser salvas por alguém, que em 99% dos casos são homens, mocinhos. E não raro ficam com ele, no final “felizes para sempre”. Eventualmente é encarada como alguém incapaz de se defender, que precisa de alguém para fazê-lo e geralmente é poupada de tudo.

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Porque realmente a melhor solução para a aurora é esconder que ela foi vítima de uma maldição, enterra-la dentro de uma floresta, aliena-la do mundo e queimar todas as rocas de fiar. Realmente, hein? Não sei não, mas se ela soubesse de tudo, talvez evitasse o pior, não?

2) Sabem lutar, são determinadas, tem objetivos e ambições, não param por nada e vão até o fim, mesmo que os seus objetivos se choquem com os dos outros. Em 99% dos casos, são “vilãs”, pessoas que acabam contrariando a história perfeita e certinha em que a “boa garota” fica com o “bom rapaz”, portanto devem ser combatidas.

Dentro dessa construção “bem contra o mal”, as “vilãs” não raro costumam querer algo além de um homem. Claro que isso é de uma forma geral. Quanto a este caso há exceções e até mesmo penso que pode ser problematizado o desejo das mulheres que atentam contra o conto-de-fadas e o padrão heteronormativo e do “felizes para sempre”.

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Ora, ora! Você está me dizendo que é proibido querer vingança se isso atrapalha o casal principal?

Por exemplo, algumas “vilãs” buscam o padrão beleza ideal e até mesmo a juventude eterna, como se “ficar velha” fosse sinal de fracasso e feiura. Claro que a problematização da beleza ideal cabe em outro post.

Em suma: heteronormatividade (ou você já viu uma princesa casar com outra princesa, por exemplo?), submissão, falta de atitude, dependência de alguém (não raro um homem) para se salvar e até mesmo a ausência de real objetivo que não seja um homem e um romance ideal! Neste último caso, também cabe destacar a perda de um objetivo não-romântico quando “se apaixonam” por alguém.

É uma fórmula cansativa, defasada. Aos poucos, mulheres modernas não se identificam mais com este padrão de esperar pelo príncipe encantado e depender dele para qualquer coisa. Ou melhor dizendo, mulheres cada vez menos se identificam com a premissa de que precisam de um homem para SER FELIZES ou simplesmente para viverem.

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“Chegou tarde demais, príncipe.” (Encantada, 2007)

Isso anda gerando duas possibilidades de roteiros modernos:

1) Mulheres que viveram toda a sua independência, viciaram em trabalho e não se importaram com a vida. E por “vida” está incluindo um encontro amoroso com um CARA. E esse cara te faz rever toda a sua vida e “ai, meu Deus, como eu pude viver sem ele antes?”. Não estou dizendo que o amor não é importante, mas sério que toda a sua vida não valeu a pena por causa de um cara? Não raro esses filmes são feitos em formato de comédia romântica, tornando “leve” um tema que eu considero sério. É a velha lógica de “Ah, é só uma piada, por que vou levar a sério?” que também perpetua e legitima piadas sobre loiras, portugueses e o Joãozinho, o cara esperto que se dá bem sempre, e preconceitos em geral.

2) Mulheres vivem a própria vida, alcançando seus objetivos, vivendo problemas outros que não os que os homens impõe nas vidas delas. E eventualmente descobrem que o amor romântico não é o único amor na face da Terra. E que o maior amor é o amor-próprio, que a família também é digna de amor e eventualmente se aparecer um cara, ele não sufoque e a anule por completo.

Diante do visível aumento de identificação das mulheres com algumas vilãs, anti-heroínas e com o segundo segmento de roteiros como acima apontado em itálico, não é de se espantar que filmes como Frozen, Valente, Malévola e até mesmo Mulan e Encantada estejam fazendo sucesso.

E que a tendência seja que, embora o machismo não vá ser eliminado tão cedo, histórias de mulheres independentes, autossuficientes e ciente de que o amor de um homem não é um aspecto fundamental para sua vida, o centro do seu universo, mas apenas um detalhe da sua vida, se multipliquem.


Este post é oferecimento de:

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The light of/in each moment – ou sobre escrever

The Light of each moment – e/ou sobre escrever  

Olá, universo, como vai essa força?

Hoje eu vim…

 

Eu…

Acho que o título do post é meio vago. Botei o nome do blog nele para poder explicar a escolha do título. Lembro de ter dito que era importante para mim. E eu consegui relacionar com o fato de que escrever é o que eu gosto de fazer.

Eu sempre gostei de escrever. Sempre. Desde criança. Agora escrever para si e guardar numa caixinha enterrada embaixo de sete palmos dentro do coração é uma coisa. Escrever e mostrar é outra, beeeeem diferente. Vai ver é por isso que eu sempre travei para ter um blog. Se expor é muito difícil. Mas esse não é o caso. Estou desviando do assunto. Isso sempre acaba vindo à tona quando eu falo sobre pessoalidades, mas… Foco! Foco!

E isso é o que acontece bastante enquanto eu escrevo sem roteiro, sem previsão. Quando os dedos saem correndo pelo teclado enquanto eu penso, as coisas, que já não tem uma ordem definida, acabam por tomar um rumo aleatório. Foi como disse o Gato de Cheshire em Alice no País das Maravilhas: Se você não sabe para onde vai, qualquer caminho serve.

Bom, escrever… Gosto de escrever como quem respira. Sai naturalmente, cheio de falhas, incoerências, passagens confusas, pausas eternas. O teclado é meu octógono e eu luto contra as minhas próprias limitações, sejam elas impostas por mim mesmas – muito mais comuns – sejam elas pré-existentes.

Não sou nenhuma poetisa, nenhuma Clarice Lispector, ou Caio F. de Abreu. Aliás, eles ainda estão na moda? Ou é a Tati Bernardi ainda? Nem sei…

O negócio é que escrever me força a criar uma linha de pensamento. E em um blog, essa linha de pensamento fica registrada, nem que seja para eu voltar depois e dizer: “Mano, o que tinha no meu almoço aquele dia enquanto eu escrevia isso?”

Isso me lembra um grande cara. GRANDE CARA! Um brother meu, chamado Shinjo Ito. Uma vez, eu li ele escrever que não era um poeta ou grande escritor. Mas que escrevia mesmo assim. Acho que é meio assim que funciona comigo. Quando fui falar de mim, disse que sou escritora por insistência. Não é a mesmíssima coisa, mas está valendo, acho.

Já o nome do blog… Não é nada original. Ele tem o mesmo quase o mesmo nome de um livro da Shinnyo en: The Light in Each Moment.

Imagem

(Ö :O Ö :O Ö :O
*Um minuto de silêncio pelo choque*
Agora que eu reparei que o nome é um pouco mais original do que eu pensava. Com o tempo, vocês vão aprender que eu leio as coisas… Do meu jeito. E isso gera pequenos fatos… Inusitados, no mínimo. Agora… Como eu passei meses lendo “of” ao invés de “in”? Mistérios da vida! BRUXARIA MÁXIMA, só pode! hahahahaha)

Tudo casou muito bem. Costumo dizer que o budismo tem um timming perfeito na minha vida e dessa vez não foi diferente. Quando eu fui à cerimônia de elevação espiritual, esse era o livro que eu não largava nem por decreto presidencial. Não lembro de cabeça se foi neste livro ou em algum Caminho da Unidade (1) que eu li sobre o que disse acima, no que tange a escrever apesar de não ser o melhor escritor do universo.

Também acredito que ideias são como luzes. Acho que o conceito também não é lá muito original, mas vamos tentar explicar: cada pessoa que teve uma ideia, teve uma luz. Até mesmo nos desenhos animados, as ideias são representadas com uma lâmpada acima da cabeça. A ignorância costuma ser representada pela escuridão, então cada vez que você pensa sobre algo, a ignorância vai embora um tiquinho. Então as luzes que eu lanço aqui querem simplesmente dissipar as diversas formas de escuridão que eu vejo, que geralmente são coisas negativas. Não só a ignorância, mas também a tristeza, dor, vazio… Sempre que lemos algo, sentimos o que está escrito e ficamos vivos. Assim que eu me sinto quando leio.

Mas me sinto muito mais iluminada quando escrevo. O que vocês leem não é nem um quarto do que passou na minha cabeça. Embora eu deixe o texto devanear um pouco para lá e para cá, minha mente é bem mais… Iluminada (e aqui não no sentido religioso, pfvr!). A bem da verdade, parece uma árvore de natal, tudo coloridinho, pequininho, piscandinho…

O caso é: Leio e escrevo em busca de luzes, coisas diferentes para que eu pense e repense e, se possível, faça os outros pensarem um pouco. As vezes, as menores coisas que lemos, dissipam uma escuridão de anos. Eu sei, eu vivo isso todo dia.

A luz não é só coisa minha. É muito comum nas religiões. Eu lembro de ter lido algo sobre escuridão em Moisés, mas a internet não está essas maravilhas para pesquisar a passagem. Mas, se eu não estiver com a memória muito atrofiada, uma das pragas/castigos divinos/algo-assim de Deus incluía um dia de apagão em que todos os filhos primogênitos seriam assassinados, exceto os meninos cujas as casas tivessem sangue de carneiro na porta. Ou alguma coisa assim. Se eu lembro bem, o que passava de um lado para o outro avaliando as casas e os primogênitos era uma luz. Alguma coisa assim. [Moisés é meu livro preferido da Bíblia. Me identifico demais com ele quando ele duvidava de tudo. Espero poder dizer o mesmo quando chegar na fase em que ele se entregou à fé, seguiu o seu destino e essas coisas. Vamos de mãos dadas com os Pais de Ensinamento fazer isto. 😀

Mas acho que o que realmente me inspirou a usar o nome do livro (ou quase) no blog e a escrever partindo de toda essa premissa foi a seguinte passagem do Sutra Nirvana:

A candle burns away with each passing moment. Yet, within these moments, it dispels the darkness with its light. Those who strive to master the way must be like the candle. (A vela queima com o passar do tempo. Assim assim, com esses momentos, ela dissipa as trevas com sua luz. Aqueles que se esforçam para seguir(4) O Caminho devem ser como a vela.)

Budicamente falando, o significado é bem mais profundo do que uma primeira leitura sugere. Implica em horas e horas e horas de explicação da doutrina e mais outras mil horas de reflexão. Não cabe para agora.

A única coisa que eu sei é que eu quero ser uma vela. E eu espero que o blog seja um meio para isto.

No mais, este blog é pessoal e não temático. Vai versar sobre tudo. E sobre nada. Nem sempre vai fazer sentido, porque é assim que a minha cabeça funciona. No fim das contas, o blog vai ser sobre as minhas luzes, minhas musings (2) e qualquer outra coisa que os dedos deixarem escorrer pelo teclado diretamente da minha mente.

Seja bem vindo(a). E compartilhe suas luzes comigo. 😀

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Notas enrolatórias e aleatórias:

1 Ou seria “Caminho para Unidade”? Não sei, não confio mais na minha mente ou leitura! hahahahaha

2 Devaneios talvez se aplique numa tentativa de tradução ao que este blog conterá, mas não alcança o que eu senti quando lia o livro.

3 Este post fez sentido? hahahahahaha

4 Eu fiquei em dúvida de como traduzir o “master”, confesso. Não gostei de como soou “dominar”, embora talvez seja a mais correta. Então botei seguir mesmo, porque é isso que fazemos antes de dominar O Caminho: nos o seguimos.

O dia que eu decidi começar um blog.

Saudações, terráqueos. Eu vim em paz.

Olá, universo, como vai essa força? 😀

(Algum tempo depois…)

Aí eu olhei para o outro lado, vi o gol do Hulk em cima do Chile, troquei de aba do Safari, a vida seguiu e eu esqueci o que fazia.

E geralmente é isso que acontece em 99% dos casos. Eu faço algo que considero relativamente relevante e interessante, totalmente concentra… Aquilo ali no teto é uma osga(1)? Osga é uma palavra engraçada. Repita várias vezes e bem rápido: osga, osga, osga, osga, osga, osga, osga… Causa até uma estranheza, não? Uma cosquinha engraçada na língua…

Já deu para notar que começar algo é extremamente difícil para mim, certo? É quase crônico. Eu enrolo, me enrolo e até me desenrolar, leva tempo. Por exemplo, eu enrolei ANOS para começar um blog nesse estilo que eu estou tentando fazer agora. E estou enrolando para escrever coisas coerentes. Demoro horas escrevendo coisas que as pessoas lerão em cinco minutos. E são coisas que eu poderia escrever em quinze minutos. Eu enrolo tanto que quando falam: “Minha nega, escreva sobre a macaxeira(2) frita que você comeu no jantar em, no máximo, 30 linhas.” eu surto. Como eu vou poder escrever sobre o histórico da macaxeira, passando pela Revolução Francesa, a fuga da Família Real portuguesa ao Brasil e a importância de uma manteiga bem gostosa derretendo por cima de uma macaxeira cozida e… Ah, sim, claro, o impulso incontrolável de comer aipinzim frito uma vez estando praticamente dentro de um restaurante de churrasquinho de gato(3).

Eu começo falando de arroz e termino falando do poste, da mulher e do bambu

Mas deixando todas as enrolações e prolixidades de lado…

 

Por que raios eu criei um blog?

Porque sim!

Mas “porque sim” não é resposta!

 

Ok, ok… Então vou colar aqui um trecho da conversa que eu tive com um bróder meu, o Alain de Paula(4) via Caralivro(5):

Caro Alain, por favor, conceda-me o obséquio de compartilhar de sua sabedoria, paciência e generosidade comigo. (Sim, eu dei uma voltinha no século XVIII e acabei de voltar. Hahaha) Sempre quis ter um blog. Tipo, desde que eu era um cyber-girino dos tempos do disco instalador de internet da UOL e AOL, do Zipmail e do Bol, a bem da verdade. Mas sempre fui travada. Sei la o que acontecia, sempre travei. Era um tal de “achar que eu nao tinha nada interessante a dizer” ou “mas eu nao tenho regularidade pra escrever!” Ou “Mas será que eu tenho cacife pra isso?”… Até hoje eu tenho isso pra mim, de certa forma. Tenso, não? Mas ai rolou EZA, São Paulo, conheci gente como tu e as coisas foram fluindo. Ai conheci o blog da Denise (e amei), conheci teu blog (e amei) e notei umas coisas engraçadas. Lendo o teu blog e o da Denise (e outros), eu notei que resposta pra algumas perguntas que me fazia há tempos, mas esquecia. Depois me peguei lendo coisas que eu também pensava. E mais ainda: li coisas que eu precisei que alguém pensasse por mim pra entender o que eu precisava saber. Os dedos coçaram de novo!!!! Eu quis fazer isso por mim. Falar por mim, pensar enquanto os dedos correm. Eu quis falar pra alguém. Vai que acontece com esse alguém o mesmo que aconteceu comigo… Ai eu travei, claro. Porque todos os pensamentos anteriores de medo de me expor voltaram e eu me perdi de novo. Agora… Fico pensando no que fazer… Alain, o que fazer? Por que fizeste? Pra quê? E agora? *in denial*

Acabou que foi tudo o que eu mandei para ele de primeira. hahahaha

Mas é, chutei o balde! Foi-se. Já era.

E daí se *insira aqui todas as probabilidades pessimistas no texto acima*? E daí se *insira todas as possibilidades negativas futuras que aparecerão na minha cabeça*? E DAÍ!?

Acho que não tem forma melhor de começar algo que não seja chutando o balde. Começar algo novo é mudar o status quo. Considerando que meu balde/status quo é praticamente colado no chão com superbond, durepox, cimento, fita isolante, cola escolar, cola colorida e enfeitada com cola de glitter, é um pu… Cahem… Puxa vida, é um belo progresso, não? 😀

Então é isso, por enquanto.

MARIIIIA, TRAZ A TESOURA PARA CORTAR A FAIXA DESSE BLOG, PORQUE ELE ESTÁ INAUGURADO! Agora vamos aproveitar o coquetel da festa, porque não está fácil para ninguém!! \o/\o/\o/

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Notas enrolatórias e aleatórias:

1 Já vi chamarem osga de jacaré de parede! JACARÉ DE PAREDE! Depois de tentar absorver o termo, decidi que dava uma imagem mental engraçada. Aquela coisinha minúscula e branquela sendo comparada a um réptil gigante… Soa mais assustador do que realmente é. hahahaha

2 Também chamam macaxeira de aipim. Palavra de sonoridade engraçada! Aipim, aipim, aipim, aipim… Se eu ficar falando assim, dá até tontura… O_O

3 Será que o termo “churrasquinho de gato” é uma exclusividade do meu setor ou todo mundo chama aqueles churrasquinhos de espetinho de “churrasquinho de gato”?

4 Eis um nome deveras batuta! 😀

5 Facebook anyone?

6 Originalmente, este post era para ser postado dia 19, que é um dia importante para a Shinnyoen (e para mim). Sejam legais e ignorem esse 20 aí cima, por favoooor! *cara de cão pidão* Obrigada Consegui colocar o dia como dia 19. Então esta nota é um erro na Matrix. hahahaha

7 Escrevi esse post, ou pelo menos uma parte dele ouvindo minhas músicas habituais, mas somada ao som de chuva! Pense numa coisa linda de Deus. ❤

8 Devo fazer um post explicando a origem desse nome. Acho. hahaha Mas tem uma origem legal e importante para mim. E também sobre o objetivo do blog.

9 Vou tentar manter as tags organizadas. E o blog organizado como um todo. Culpa do virginianismo da Denise e suas tags gracinhas. ❤ [Mas aviso logo, vai acabar virando uma bagunça!]